SOBRE A IDYLL

As profundas mudanças climáticas cada vez mais impactam o ambiente e se fazem presentes em nosso dia a dia. A busca de uma existência sustentável passa por ações individuais de sustentabilidade visando um futuro saudável para o planeta e nossos descendentes.

 

A IDYLL alia ciência ao conhecimento da dinâmica econômica e social do planeta, projetando soluções de conscientização, sustentabilidade e resiliência. Do simples cidadão à grande empresa, é necessário que haja uma mudança integrada em direção ao equilíbrio ecológico e econômico.

 

IDYLL significa idílio, que remete a valores simples e sustentáveis, um ideal que sempre devemos almejar. Não existe plano B, ou planeta B. Nosso planeta é nossa casa e cabe a todos agir, hoje e agora!

 

 

DEPOIMENTO

 

Em 1988, prestes a me formar em Geologia, adentrei pela primeira vez a Toca da Boa Vista, uma caverna no sertão semiárido da Bahia, cuja exploração havia se iniciado alguns meses antes. Muito embora a região fosse extremamente seca (apenas 470 mm de precipitação média anual) e a vegetação espinhenta da caatinga indicasse que ali chuvas são eventos muito raros, o interior da caverna apresentava uma grande quantidade de estalactites e estalagmites. Tais ornamentações, formadas a partir de gotejamentos no interior da caverna, encontravam-se absolutamente secas.

 

De imediato, tornou-se claro que haviam se formado em uma época muito mais chuvosa que a atual. Poucos anos depois, à medida que explorávamos a caverna, fomos descobrindo esqueletos completos de novas espécies de grandes animais extintos. Fósseis de macacos gigantes, que necessitariam de uma vegetação de florestas; urso extinto, o que pressupõe um clima mais frio, entre muitos outros. Realizamos a primeira datação em enormes depósitos fósseis de guano (fezes) de morcegos. Apontavam idades a partir de 12 mil anos. Mas praticamente não havia morcegos na caverna. Tornava-se claro que o Nordeste brasileiro havia passado por fases muito mais úmidas. Surgia então o meu fascínio pelas alterações climáticas pelas quais passou o planeta Terra.

 

Após alguns anos estudando o ciclo da água na Europa e nos Estados Unidos, em 1995 escrevi um projeto de pesquisa, visando elucidar as mudanças climáticas do Nordeste brasileiro utilizando depósitos de cavernas. Foram 4 anos em um doutorado em Bristol, Inglaterra, aplicando técnicas pioneiras no Brasil.

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Galeria de caverna no sertão semi árido da Bahia, com muitos
estalactites e estalagmites inativas. Foto: Ezio Rubbioli
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Coleta de estalagmites em caverna na Amazonia. Foto: Augusto Auler

Posteriormente, esse trabalho sobre as fases úmidas do Nordeste nos últimos 210 mil anos foi publicado na mais importante revista científica do mundo, a Nature. De volta ao Brasil, meu foco se voltou para a Amazônia. Com verbas nacionais e internacionais, realizamos um trabalho que mostrou como o clima – e a floresta –da região amazônica se alterou nos últimos 45 mil anos. Este trabalho também resultou em uma publicação na revista Nature. Em 2006, me afastei da universidade, sem perder o interesse pela ciência, e até hoje me mantenho envolvido em vários projetos com pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

 

Muitos anos se passaram. Atualmente a Toca da Boa Vista, onde tudo começou, possui 114 quilômetros de galerias subterrâneas; é a maior caverna da América do Sul e uma das mais importantes do mundo. E, nesses mais de 30 anos, a necessidade de compreender as alterações climáticas do presente (e do futuro) se tornou ainda mais urgente. A IDYLL é a concretização de um sonho que se iniciou há mais de três décadas. Na IDYLL, buscamos, por meio da ciência, compreender não só as consequências, mas as causas das alterações climáticas, através de ações e pesquisas integradas com o que existe de mais atual em todo o mundo.

EQUIPE

 

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Augusto Auler é mineiro de Belo Horizonte, empresário e pesquisador. É graduado em geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988), mestre em hidrologia pela Western Kentucky University, Estados Unidos (1994), doutor em geografia física e geocronologia pela University of Bristol, Inglaterra (1999), com pós-doutorado em paleoclimatologia pela UFMG (2006).

 

Foi fundador de ativas ONGs ambientalistas ligadas ao carste, como o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas e o Instituto do Carste. Atua como empresário administrando empresas de consultoria ambiental (especializada em carste – www.carste.com.br) e da área de serviços.

 

Como pesquisador é membro do corpo editorial de alguns dos periódicos mais importantes sobre o tema, como Geomorphology. É assessor junto ao governo da China para temas ligados a relevo cárstico e coordenador de projetos internacionais. É autor de 9 livros e de várias dezenas de artigos científicos nacionais e internacionais. É colaborador da pós graduação do Instituto de Geociências da UFMG. Para maiores informações acessar currículo completo em http://linktr.ee/augusto.auler