Feedback Loops

Feedback loops: você conhece essa reação em cadeia?

Os Feedback loops, ou “ciclos de retroalimentação”, funcionam como uma reação em cadeia, uma série de impactos interconectados que se amplificam ou se reduzem.  

No contexto do clima, a forma como isso ocorre se reflete, por exemplo, quando o aumento de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera provoca o aquecimento global que, por sua vez, intensifica períodos de seca e altas temperaturas, favorecendo queimadas que liberam ainda mais GEE para a atmosfera—fazendo o ciclo se repetir indefinidamente. 

Esses ciclos podem ser positivos ou negativos, sendo que os primeiros aceleram a resposta do clima a perturbações, enquanto os últimos são uma tentativa do clima de se reestabelecer em equilíbrio. 

De acordo com o The Climate Reality, sem a ação reguladora de feedback loops negativos, os ciclos positivos podem sair de controle de forma a alterar o sistema climático de maneira irreversível. É o que chamamos de “ponto de inflexão”—ao alcançá-lo, não será possível retornar à condição inicial. 

Feedback loops positivos são muito perigosos, e criam condições difíceis de prever que já impactam diversas regiões do planeta. Além disso, os próprios modelos de previsões climáticas têm dificuldade de representá-los. 

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No contexto do clima, existem quatro feedback loops muito importantes (mas os cientistas têm estudado dezenas deles!), eles estão ligados a florestas, ao permafrost, à atmosfera e ao albedo. Vamos conhecê-los? 

Feedback loops e as florestas 

Os ecossistemas removem cerca de 30% das emissões de combustíveis fósseis, e a maior parte disso se deve à atuação das florestas. No entanto, com o aumento dos GEE na atmosfera, as florestas têm sido mais expostas a secas prolongadas e altas temperaturas, tornando-as mais suscetíveis à incêndios e ataques de insetos, levando-as à morte. 

Quando uma árvore morre, seja durante uma queimada ou devido à decomposição, o carbono absorvido por ela durante seu crescimento é liberado na atmosfera. Quanto menos árvores nas florestas, menos absorção de GEE da atmosfera e, quanto mais queimadas e decomposição de árvores, maior a emissão de GEE para a atmosfera, fortalecendo o ciclo vicioso que deu início a esse cenário. 

Assista ao vídeo sobre feedback loops nas florestas: 

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Feedback loops e o permafrost 

O permafrost é um tipo de solo congelado nas regiões árticas. Sob a camada de gelo, há muita concentração de matéria orgânica. Quando o gelo derrete, essa matéria orgânica se torna disponível para ser degradada por microorganismos que, por sua vez, emitem GEE neste processo de decomposição. 

Assim, quanto maiores as temperaturas nas regiões árticas, maior o degelo e a decomposição da matéria orgânica sob o permafrost, liberando mais GEE e intensificando o aumento da temperatura terrestre. Segundo cientistas, o permafrost armazena quase 1,7 trilhão de toneladas de carbono, sendo quase o dobro do CO2 presente na atmosfera. Confira neste vídeo como isso acontece:

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Feedback loops e a atmosfera 

O vapor d’água é um GEE muito importante no contexto climático por estar presente em grande quantidade na atmosfera terrestre e ter alto potencial de aquecimento. Com a elevação das temperaturas, aumenta-se a evaporação da água e, portanto, há maior disponibilidade de vapor d’água na atmosfera. A presença de mais vapor, devido ao seu potencial de aquecimento, amplifica o aumento da temperatura terrestre, gerando um feedback loop

Além disso, o aquecimento do planeta também implica no aquecimento dos oceanos, intensificando a presença de vapor d’água na atmosfera pela evaporação e criando outro feedback loop.  

A combinação destes dois feedback loops forma furacões mais fortes e mais frequentes, representando um risco maior até para locais que já são adaptados à presença desses fenômenos. 

Para saber mais, confira este vídeo sobre feedback loops e a atmosfera:

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Feedback loops e o albedo 

O efeito albedo se refere à refletividade terrestre e é um dos principais mecanismos de resfriamento do planeta para manter as temperaturas equilibradas. Nos polos é onde há maior refletividade, chegando a 85% de reflexão dos raios solares de volta para o espaço e impedindo o superaquecimento da Terra.  

Porém, com o aumento de emissões de GEE, as temperaturas do planeta têm subido, sendo que no Ártico, isso vem ocorrendo 2 ou 3 vezes mais rápido que no restante do mundo. Assim, o gelo e a neve dos polos têm se reduzido cada vez mais, diminuindo também o efeito albedo e iniciando um feedback loop muito perigoso: o maior degelo, diminui a refletividade da Terra, dificultando a reflexão dos raios solares de volta para o espaço e, portanto, contribuindo ainda mais para a elevação da temperatura terrestre. 

Assista o vídeo sobre feedback loops e o albedo para entender melhor sobre este ciclo: 

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O QUE FAZER? 

Reduzir os feedback loops positivos exige as principais medidas que vêm sendo faladas nos últimos anos sobre o combate às mudanças climáticas: reduzir drasticamente as emissões de GEE, zerar o desmatamento e aumentar muito o reflorestamento ao redor do mundo.  

Isso exige medidas que incluem a descarbonização da economia, ou seja, substituição dos combustíveis fósseis por combustíveis de energia renovável, além de proteger as florestas nas diferentes regiões do globo e garantir amplo esforço para recuperar os ecossistemas. Assim, acredita-se que será possível diminuir, parar ou até reduzir os feedback loops positivos e seus efeitos perigosos. 

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